Rede Social Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis

Cidades sustentáveis são cidades compactas. Ao contrário do que pregam os defensores da espansão urbana, transformar Palmas numa cidade compacta e sustentável será o grande desafio do proximo prefeito.  Quanto maior a cidade, maiores são os impactos, seja no transporte, na saúde, educação, na segurança, no meio ambiente e na infraestrutura. Metrópolis como São Paulo pagam um preço muito alto pela expansão não planejada. A dinâmica da megacidade gera deslocamentos entre a casa e o trabalho de até 4 horas, num trânsito infernal e estressante.

Numa cidade compacta as pessoas podem passear, caminhar, trabalhar e estudar perto de casa, deixar seu filho na escola com facilidade e em segurança.

O tema “cidades compactas”, que diminuem a distância entre a casa e o trabalho, foi amplamente discutido recentemente entre prefeitos e representantes de cidades na cúpula internacional que reuniu várias metrópoles mundiais para a troca de ideias sustentáveis.

Quanto mais aumentamos o tamanho da cidade mais aumenta a demanda por transporte e, consequentemente, aumenta a quantidade de veículos circulando pelas ruas e avenidads. A consequencia disso são os intermináveis congestionamentos, inúmeros acidentes de trânsitos e elevadas emissões de gases de efeito estufa, um dos responsáveis pelo aquecimento global. As cidades mais densamente habitadas estimulam o andar a pé, de bicicleta e a usar transportes públicos, desde que eficientes e confortáveis, reduzindo, assim, o uso do automóvel, o consumo de combustíveis não-renováveis, a poluição atmosférica e, principalmente, os acidentes de trânsito que a cada ano ceifam milhares de vidas.

O bom senso recomenda que não podemos mais aumentar o espaço urbano de Palmas, e sim adensar as áreas urbanas centrais já consolidadas, por meio da edificação dos espaços vazios e a verticalização das construções. É imperativo, deixá-la mais densa e distribuir melhor sua população nas áreas que já dispõem de infraestrutura, favorecendo a mobilidade e a interação social, com espaços eficientes e de multiuso.

Algumas medidas poderia ser adotadas no planejamento urbano de Palmas para que ela se tornasse uma cidade mais compacta e eficiente. Para evitar o maior vilão do aquecimento global, o deslocamento, é importante que os bairros tenham múltiplas funções, como moradia, comércio, serviços, postos de saúde, creches e escolas. Devemos fugir do urbanismo de zonas que segregam os usos e as clases sociais. Palmas como  cidade ecológica e sustentável deve mesclar diferentes atividades compatíveis com cada região, a fim de que as quadras se transformem verdadeiramente no centro da vida comunitária. A qualidade de vida numa cidade exprime-se sobretudo através do grau de acessibilidade que os cidadãos têm a tudo o que precisam e não apenas pelo do grau de mobilidade de que dispõem.

O espraiamento de Palmas não é decorrente do desejo da população, mas sim da falta de políticas públicas de habitação e do efetivo controle de uso e ocupação do solo que as gestões anteriores foram incapazes de resolver, mas, que o próximo prefeito terá que enfrentar com muita coragem e determinação. A cidade compacta, ideia defendida ao redor do mundo, é contrária ao nosso modelo equivocado de cidade. A nossa cidade cresceu e se espraiou de modo disperso, com baixa densidade populacional que começou acontecer desde o início de sua implantação. Cidade sustentável deve ter políticas habitacionais voltadas para o centro, a exemplo do que fizeram varias metrópolis mundiais. É preciso, portanto, produzir habitação nas áreas centrais para todas as classes sociais. Por outro lado, é necessário que as instituições financeiras ofereçam crédito permitindo a todos morar próximo do emprego e dos benefícios que a vida urbana oferece.

O aumento da cobertura verde de Palmas deve ser feito de modo estrutural, não só pensando no aspecto decorativo. Devemos criar corredores de vegetação que conectam todos os setores da cidade e, principalmente, os bairros mais distantes. Ao priorizar o pedestre e o uso da bicicleta, os corredores e as calçadas verdes também incentivam que os cidadãos não saiam de carro, deixando as vias públicas livres de trânsito e estimulando ainda o estilo de vida saudável. Andar é a função principal de qualquer cidade, pois estimula vida comunitária e fortalece a atividade comercial.

 

                         Autor: Jânio Washington Barbosa da Cunha é engenheiro e advogado, natural de Peixe-TO, ex-secretário de Infra- Estrutura de Palmas-TO.

 

 

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