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Transporte Público de Palmas: BRT ou VLT?

                         

Quase que diariamente ouvimos críticas de que o transporte público de Palmas é caro e deficiente. E ai, como resolver este problema que a população tanto reclama?

Atualmente, quando se fala em sistemas de transporte público de qualquer cidade de médio porte, dois modelos de transporte de massa são os mais discutidos: o BRT (Bus Rapid Transit) e o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos).

Qual a diferença entre os dois modelos e qual seria o mais viável para Palmas?

O BRT é o sistema de transporte rápido que utiliza ônibus em faixas exclusivas e estações de embarque e desembarque ao longo de um eixo, a exemplo do que ocorre em Curitiba e Goiânia. Já o VLT utiliza veículos leves sobre trilhos em corredores exclusivos. É o chamado metrô de superfície.

Como o BRT utiliza ônibus, a vida útil dos mesmos são bem menores, cerca de 5 (cinco) anos, contra 20 (vinte) anos dos trens utilizados pelo VLT. Por outro lado, o BRT utiliza pneus e combustível fóssil, materiais não renováveis e altamente poluentes, ao contrário do VLT que utiliza trilhos de ferro e energia elétrica, que é uma energia limpa e ecologicamente correta. A capacidade de transporte de passageiros do BRT, cerca de 80 passageiros num mesmo veículo, é muito menor que o VLT que pode transportar até 500 pessoas. Sem falar que, ao contrário do BRT, o VLT é mais confortável com ambiente refrigerado e possui um rigoroso controle de horários.

O Brasil cresceu privilegiando o sistema rodoviário de transporte e isso ainda se reflete nos dias de hoje, com conseqüências trágicas em relação aos acidentes de trânsito e o excesso de veículos circulando pelas ruas e avenidas das cidades e pelas rodovias mal conservadas do País. Investir em projetos de longo prazo baseados em veículos com motores à combustão, altamente impactantes, a meu ver, é um enorme retrocesso.

Palmas possui uma topografia que favorece a implantação de qualquer um dos dois sistemas, ao longo do canteiro central da Av. Teothônio Segurado e da Av. JK, sem que haja necessidade de desapropriações e grandes intervenções no sistema viário da capital.

Não podemos pensar em soluções para os problemas estruturais de Palmas num horizonte de apenas 4 ou 8 anos, sob pena de inviabilizarmos o seu desenvolvimento. Além disso, temos que pensar com inserir a nossa cidade na rota de dois grandes eventos que serão realizados no Brasil, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Palmas, por ser uma cidade nova e em construção, ainda sem os problemas estruturais das grandes cidades brasileiras, tem a oportunidade de se transformar num modelo de cidade sustentável para o Brasil e o mundo, desde que façamos as escolhas certas.

Do ponto de vista ambiental e da sustentabilidade e, pensando nos custos-benefícios a longo prazo, não restam dúvidas de que os números mostram que o modal de transporte sobre trilhos, o VLT, é mais barato e eficiente do que os ônibus, por mais modernos que eles sejam. Outra grande vantagem do VLT é que os trens circulam na superfície compartilhando o espaço com os outros modais, como os ônibus comuns, carros e bicicletas.

Palmas precisa aproveitar a oportunidade e resolver de uma vez por todas o gargalo do transporte público, implantando o VLT, uma vez que o Governo do Estado, numa visão de futuro, vem sinalizando que está disposto a ajudar e, inclusive, já autorizou a elaboração de estudos para implantar este moderno sistema utilizado com bastante sucesso em varias cidades do mundo.

Além de pensar nas pessoas que realmente utilizam o transporte público devemos pensar no que este sistema trará de benefícios futuros para a cidade, inclusive no tocante à questão ambiental. A população merece andar num transporte público descente e de qualidade. Ou é sonhar demais? Confesso que sou um grande sonhador.

 

 

 Autor: Jânio Washington Barbosa da Cunha é engenheiro e advogado, natural de Peixe-TO, ex-secretário de Infra- Estrutura de Palmas e filado ao Partido Verde.

 

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